23/12/2012

bom dia

A árvore sempre se fez e Manuel Zacarias Segura Viola nem reparou, já lá vai o tempo que Zacarias brilhava com as luzes do pinheiro, antes natural, ultimamente plástico como tudo o resto. Ainda por cima não há chaminé e as meias estão rotas.
É natal, é natal, e o coração de Zacarias cheira mal.

19/12/2012

Câmara Clara


Também eu fiquei desiludido com o anúncio do fim do programa Câmara Clara (RTP2). Para além das interpretações que a notícia tem suscitado, não posso deixar de partilhar o desencanto de intervenções como a de Vasco Graça Moura (no DN), sublinhando a importância de contrariar “a tendência fatal das televisões generalistas para a imbecilização colectiva”. Atentas à pluralidade da produção artística, as emissões apresentadas por Paula Moura Pinheiro provam, afinal, que é possível conversar em televisão sem favorecer uma crispação banalmente futebolística.
Ainda assim, não participo das atitudes de protesto “militante” sobre o fim do Câmara Clara. A questão de fundo é, para mim, radicalmente política: tem a ver com o modo como discutimos os valores que configuram o espaço social. Creio mesmo que há um penoso equívoco em defender seja o que for porque é “cultural”, opondo-o àquilo que não é “cultural”: temos um défice imenso de reflexão sobre a mediocridade galopante da “reality TV” (Big Brother e afins) e o poder normativo de algumas ficções (telenovela e seus derivados), já que quase todos consideram que tudo isso... já não é “cultura”.
A clivagem que está em jogo passa por aí (e não tenho dúvidas sobre o carácter minoritário do meu discurso). A meu ver, importa reconhecer que não há nada mais cultural que as monstruosidades televisivas todos os dias injectadas na imaginação e no imaginário dos portugueses. Porquê? Porque através delas se impõem valores sobre a forma como nos representamos, as histórias que partilhamos e os modelos de relação (profissional, conjugal, sexual) que estabelecemos. A cultura envolve uma permanente guerra de valores, não é um território apaziguado em que “consumimos” uma bondade redentora, superior às convulsões do mundo à nossa volta.
Genericamente, esta visão “purista” e “purificadora” da cultura continua a ser sustentada por um nostálgico e exangue imaginário de esquerda que a direita, enquistada na inanidade de pensamento a que chegou, vai reproduzindo com despudorada perversidade. No seu esquematismo, este é um discurso que satisfaz as boas consciências, de todos os quadrantes.
Claro que é triste que desapareçam programas empenhados em respeitar a inteligência dos seus espectadores. Mas o fundo do problema está nos que ficam, nesses que todos os dias, nos horários nobres, impõem a sua formatada mediocridade, promovendo a degradação galopante dos “outros” valores televisivos. Celebrar livros, filmes, músicas ou peças de teatro não basta para pensar a televisão. Importa perguntar, por exemplo, se podemos esperar que uma população maioritariamente formada a ver telenovelas (há mais de 30 anos!!!) se possa interessar pelos outros objectos a que chamamos “culturais”... A meu ver, não pode, mesmo que, quais anjos purificadores, lhes enfiemos “cultura” pela goela abaixo.

João Lopes 

aqui: http://www.sound--vision.blogspot.pt/

Slublinhados meus

16/12/2012

with or without you


See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side
I wait for you
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait without you
With or without you
With or without you
Through the storm we reach the shore
You gave it all but I want more
And I'm waiting for you
With or without you
With or without you
I can't live, with or without you
And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away
My hands are tied, my body bruised
She's got me with
Nothing to win and
Nothing left to lose
And you give yourself away
And you give yourself away
And you give, and you give
And you give yourself away
With or without you
With or without you
I can't live, with or without you
With or without you
With or without you
I can't live
With or without you
With or without you
Ooooooooo
With or without you
With or without you
I can't live
With or without you
With or without you

A Verdadeira Virtude

Não se pode pensar em virtude sem se pensar num estado e num impulso contrários aos de virtude e num persistente esforço da vontade. Para me desenhar um homem virtuoso tenho que dar relevo principal ao que nele é voluntário; tenho de, talvez em esquema exagerado, lhe pôr acima de tudo o que é modelar e conter. Pela origem e pelo significado não posso deixar de a ligar às fortes resoluções e à coragem civil. E um contínuo querer e uma contínua vigilância, uma batalha perpétua dada aos elementos que, entendendo, classifiquei como maus; requer as nítidas visões e as almas destemidas. 
Por isso não me prende o menino virtuoso; a bondade só é nele o estado natural; antes o quero bravio e combativo e com sua ponta de maldade; assim me dá a certeza de que o terei mais tarde, quando a vontade se afirmar e a reflexão distinguir os caminhos, com material a destruir na luta heróica e a energia suficiente para nela se empenhar. O que não chora, nem parte, nem esbraceja  nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas; muitas vezes me há-de parecer que a sua virtude consiste numa falta de habilidade para urdir o mal, numa falta de coragem para o praticar; e, na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que se sobrevivem.
Só os sacristães são levados, por índole e ofício, a venerar todos os santos, sem pôr em mais alto lugar os que encheram sua vida de esquinas e no dobrar de cada uma sofreram agonias e suaram de angústia; mas, para nós, foram mais longe os que mais se feriram nos espinhos de uma remissa natureza; se a venceram merecem estar no céu; se não venceram, o próprio esforço lho devia merecer; no entanto já o inferno é uma forma de glória; para os outros seria bom que se criasse um novo recinto de imortalidade: e só o vejo estabelecido no lodo espapaçado de um fundo tranquilo, sem pregas de correntes nem restos de naufrágios; exactamente um cemitério de medusas. 
Para o que é bom por ter nascido bom e a única virtude consistiria em ser mau; aqui se mostrariam originalidade e coragem, mérito, portanto; porque ser mau por ter nascido mau só lhe deveria dar, como aos do lado contrário, o direito ao eterno silêncio. Por aqui se compreende que as vidas dos Sorel tenham sempre ressonância nas almas Stendhal; e também a sensibilidade, a delicadeza, todo o fundo de boas qualidades de certos grandes criminosos. Sei bem os perigos que tal doutrina pode ter transportada ao social e sei também a maneira de pôr de lado a objecção, alargando o conceito de virtude, dando-o como o desejo de superar e não como o desejo de combater; mas de propósito fiquei no que a virtude tem de luta entre a natureza e a vontade. 

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

Sublinhados meus.

estou cansado


Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos

Eu Vi O Sol Brilhar em Toda A Sua Glória

Se não temos a noção do tempo que temos, se não conhecemos a dimensão do espaço que ocupamos, se não sabemos se a memória é aquilo que lembramos ou aquilo que já esquecemos, se à noite sucede o dia e, depois, novamente a noite e outro dia outra vez, se ao sangue sucede a pele e se se rasga cicatriza e sucede uma nova, se à mão sucedem os dedos e aos dedos o toque e ao toque a coragem, como é que somos só aquilo que perdemos?

http://www.teatro-dmaria.pt/pt/calendario/eu-vi-o-sol-brilhar-em-toda-a-sua-gloria/

14/12/2012

Invincible WHO?


Follow through
Make your dreams come true
Don't give up the fight
You will be alright
'Cause there's no one like you
In the universe
Don't be afraid
Of what you're mind conceals
You should make a stand
Stand up for what you believe
And tonight we can truly say
Together we're invincible
And during the struggle
They will pull us down
But please, please let's use this chance to
Turn things around
And tonight we can truly say
Together we're invincible
Do it on your own
It makes no difference to me
What you leave behind
And what you choose to be
And whatever they say
Your soul's unbreakable
And during the struggle
They will pull us down
But please, please let's use this chance to
Turn things around
And tonight we can truly say
Together we're invincible
Together we're invincible

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola não gosta mesmo nada das palavras respeito e limites, dão-se a muitos equívocos, interpretações falaciosas ou, no mínimo, prepotentes, e foram, notoriamente, abusivas no tempo da nossa senhora. Para Zacarias são mais bonitas e objectivas as palavras consideração, estima ou reconhecimento por exemplo, não perdendo a noção que com papas e bolos se enganam os tolos. Já a responsabilidade surge a Zacarias como um pau de dois bicos, sendo importante o assumir da mesma nas mais variadas situações da vida, não deixa de constatar que os que mais se põe de parte nessa assunção são os que mais criticam os que, inevitavelmente e por vezes, erram no afã dessas mesmas responsabilidades.
Uma coisa descansa o coração de Zacarias, está farto de errar na vida.

13/12/2012

bom dia

Tipo, Manuel Zacarias Segura Viola conhece alguns tipos, tipo o arquétipo, tipo o estereotipo, tipo tipografia, tipo tipo de letra, tipo logótipo  tipo protótipo e, tipo, um tipo é sempre um tipo qualquer. Já fulano, tipo, não sabe bem o significado, mas, tipo, pensa que será, tipo, um tipo qualquer, isto se não for, tipo, um sicrano ou beltrano, não vá este, tipo, ter ciúmes, embora seja sempre um tipo qualquer. Tipo.
Zacarias, tipo, até conhece muitos tipos, o que o coração de Zacarias ainda não teve o prazer de conhecer foi uma tipa, tipo.

responsabilidade

Na verdade, era antes por ter sido obrigado a confessar os meus pecados. Sempre me causou aflição ver pessoas a sacrificar a vida na Terra com os olhos postos numa outra vida improvável. Interpreto esse sacrifício como uma aposta, pelo que vejo uma espécie de jogo na fé com que alguém se entrega a um dogma religioso. Não acreditando que Deus exista, coloco por vezes a possibilidade d'Ele existir e concluo que, a existir, o melhor é ser-lhe indiferente. Ele saberá o que fazer com a minha indiferença. Prefiro apostar que, a existir, Deus é uma entidade sábia e não uma entidade interesseira. Um sábio conseguirá distinguir os que foram bons indiferentemente daqueles que apenas o foram interessadamente. Mas parece-me muito mais… plausível… que Deus não exista, ou então que seja diferente daquilo que as religiões apregoam. Pensar Deus como o criador de todas as coisas, uma entidade omnisciente e omnipresente – atributos que lhe são reconhecidos pelos seres humanos -, retira a Deus a preciosidade da dúvida e sobrecarrega-o com uma monstruosa responsabilidade. 

Sublinhados meus

texto integral aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2008/09/ambiente-religiosamente-austero_09.html

ena pá 50 bejos - foda-se

bom dia

A Manuel Zacarias Segura Viola faz-lhe confusão maniqueísmos de qualquer espécie. Assim, quando lhe começam a falar de super-heróis e do alto valor de determinadas acções na vida, não se sente à-vontade e desconfia, já quando lhe falam do exacto contrário, umas vezes vezes dá-lhe para rir outras para pensar, sempre na certeza de que o espelho não é a exacta medida de todo o ser, embora faça muita gente mais gorda e maior do que o próprio reflexo. Zacarias desconfia ainda mais de quem morde a língua e não diz foda-se e até de quem não diz foda-se simplesmente. Depois neste chiqueiro que é, muitas vezes, a vida, ainda há o nojo que se mete ou deixa de se meter, um porco filho-da-puta intrometido invasor este nojo.
Nesta embrulhada, uma certeza assiste o coração de Zacarias, quando nos cagamos todos cheiramos mal.

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gosta muito de porco. Dos pezinhos de coentrada ao fino lombo assado no forno, da simples costeleta até à não menos simples salada de orelha, da mais requintada cataplana ao mais popular e estaladiço courato, da banal salsicha ao admirável presunto, da carne de porco à alentejana às favas cheias de enchidos com sangue e sem sangue, do bacon frito ao tempero da banha do dito, Zacarias perde-se nos sentidos e, por vezes, o sentido.
Nesta azáfama delirante da razão, no coração de Zacarias uma dúvida subsiste: Será carne de porco ou de porca?

12/12/2012

a questão não é cortar é arrasar



aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/

01/12/2012

o melhor "kitsch" do mundo


The summer air was soft and warm
The feeling right, the Paris night
Did it's best to please us
And strolling down the Elysee
We had a drink in each cafe
And you
You talked of politics, philosophy and I
Smiled like Mona Lisa
We had our chance
It was a fine and true romance
I can still recall our last summer
I still see it all
Walks along the Seine, laughing in the rain
Our last summer
Memories that remain
We made our way along the river
And we sat down in the grass
By the Eiffel tower
I was so happy we had met
It was the age of no regret
Oh yes
Those crazy years, that was the time
Of the flower-power
But underneath we had a fear of flying
Of getting old, a fear of slowly dying
We took the chance
Like we were dancing our last dance
I can still recall our last summer
I still see it all
In the tourist jam, round the Notre Dame
Our last summer
Walking hand in hand
Paris restaurants
Our last summer
Morning croissants
Living for the day, worries far away
Our last summer
We could laugh and play
And now you're working in a bank
The family man, the football fan
And your name is Harry
How dull it seems
Yet you're the hero of my dreams
I can still recall our last summer
I still see it all
Walks along the Seine, laughing in the rain
Our last summer
Memories that remain
I can still recall our last summer
I still see it all
In the tourist jam, round the Notre Dame
Our last summer
Walking hand in hand
Paris restaurants
Our last summer
Morning croissants
We were living for the day, worries far away..
Agradecido ao puto Mike - Lisboa x Almada

30/11/2012

bom dia

O coração de Manuel Zacarias Segura Viola sabe que nascemos para perder, aliás começa logo nesse primeiro acto, onde perdemos o útero, depois perdemos a infância, a juventude, muitas vezes os amigos, demasiadas vezes o amor, perdemos a direcção, o caminho, o sentido e, às vezes, os sentidos, perdemos a utopia,  o querer, o desejo e, até, a vontade, perdemos a tranquilidade, o sono, o sossego ou a paz,  perdemos a disposição, a zona de conforto, o lugar e, também, o espaço, perdemos o segundo certo, os minutos, as horas e os dias, perdemos a cabeça, a razão, um pensamento ou a memória, perdemos a verve, a força, a virilidade ou, menos eufemisticamente, a tesão.
Para Zacarias podemos perder tudo menos a coragem de voltar a perder tudo de novo, depois, como dizia o avô de Zacarias, morreu fodeu-se.

momento frase feita


É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber."

Sigmund Freud

26/11/2012

almada x benfica

Banda sonora do telemóvel do puto no caminho para os treinos.









Nada mau apesar de alguns rap's que dispensava.


rockaway beach

e a distância de tudo


É um cancro nos pulmões, projectado no ar pelas palavras
e um odor fétido paira sobre todas as coisas
sobre o mármore fino dos balcões
sobre as árvores agora sem folhas
sobre a calçada dos passeios
sobre a terra alcatroada a negro
sobre a cinza dos mortos
sobre a ausência sem direcção.

É um cancro no estômago, que separa as entranhas
e um mal-estar constante que revolve o corpo
sobre a pele gretada no tempo
sobre a carne flácida na inércia
sobre as pernas cansadas
sobre os dedos sem tacto
sobre os ombros caídos
sobre a perda das horas.

É um cancro nos intestinos, tornados vísceras secas
e uma náusea solitária que encurrala o querer
sobre a vastidão confinada do espaço
sobre a erosão lenta das rochas
sobre o cimento armado dos edifícios
sobre a finitude da areia
sobre o granito das casas
sobre a espuma dos dias.

É um cancro na próstata, violada no desejo de vontade
e uma solidão profunda cavada na impotência
sobre um piano desafinado
sobre um pássaro mudo
sobre um contrabaixo sem cordas
sobre um cavalo domesticado
sobre um trompete sem boca
sobre o calor do fogo apagado.

É um cancro no cérebro, ampliado no imo do espírito
e a incerteza fotográfica de todas as imagens
sobre o passado sem história
sobre o presente sem futuro
sobre o livro sem palavra
sobre a voz sem som
sobre o peito sem nervo
sobre o pensamento perdido.


Sobre a vida
e a distância de tudo.

24/11/2012

escala de Jonet

O assunto já não é novo, mas continua a incomodar-me, não há dia que não me sinta vil e culpado por viver como vivo. Todas as manhãs, enquanto bebo a bica no Martins, só consigo pensar que estou a viver acima das minhas possibilidades, em casa podia beber o café por apenas 25 cêntimos, poupava 35 e não tinha de aturar o bigode mal-disposto do Martins todos os dias, já a Sra. do Martins desde que soube que eu era licenciado é Sr. Nelson para aqui Sr. Nelson para ali, embora eu continue a olhar para os lavagantes de lado quando passo pela montra, porque isso é só para os que vivem abaixo das possibilidades, os que vivem ao lado acho que se ficam pelos caracóis, babam-se muito entre o desejo de baixarem e o medo de subirem na escala de Jonet.
Depois estou sempre a fazer contas, se como demais, se preciso de tanta luz para ler mas se for pouca pioro dos faróis e tenho de mudar as lentes aos binóculos, se não gasto muito papel higiénico, por outro lado se for pouco sujo os dedos e gasto mais água e sabão macaco, ando o dia todo a cheirar-me para não tomar banho sem ser estritamente necessário que o gás está pela hora da morte e a água mais o sabão macaco também, se ando de carro gasto gasóleo, se ando a pé gasto as solas e fico com mais fome e gasto mais comida, suo mais e tenho de gastar mais água mais o, inevitável, sabão macaco, enfim, mais dilemas que uma tragédia grega, tragédia clássica atenção, não esta coisa moderna das troikas.
Por fim, ou melhor, no início, porque a bem dizer é assim que começa esta caldeirada toda, há o sexo, ainda estou para descobrir se acima ou abaixo das minhas possibilidades, mas como ainda não se paga, nem imposto nem nada, e como a ginástica feita me dá mais saúde física e psicológica (que as merdas da cachimónia estão na moda e não são para desprezar), com o dinheiro que poupo em ginásios, psis, terapeutas, medicamentos, estou inclinado para que seja abaixo das possibilidades não fosse o raio da fome desgraçada que me dá a seguir. Confesso que tenho comido muito, mas o que posso fazer se tenho fome e gosto muito de comer, além disto tudo este ano já fui a 4 concertos de rock e umas 5 peças de teatro.

12/11/2012

constatação à Jesus

A triste das realidades pá é que ainda vinvemos num cantinho, assim tipo, muita piquinino e salazarento ou lá o quéisso pá, que eu de políticas não percebo népias.
Cheira mal aqui pá. Quem é que se descuidou acima das suas possibilidades? Jo quê!
Esse já não joga no Benficas pás.

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola já não se espanta com muita coisa, mas num país de pseudos-muitas coisas, a pseudo-caridosa Jonet ainda conseguiu deixar Zacarias abananado e a sentir-se culpado por estar a comer uma banana, que, vendo bem, daria para alimentar pelo menos três ou quatro pessoas, ainda por cima logo após ter ingerido duas grandes batatas-doces, umas quantas castanhas e uns copos de tintol de garrafão. O coração de Zacarias contraiu-se só de pensar neste luxo acima das possibilidades e promete que no magusto do ano que vem, se ainda cá estiver, vai deixar meia banana, uma batata-doce, umas quantas castanhas e um copo de tintol para a Jonet dar aos pobrezinhos que andaram a viver acima das suas possibilidades. Com muito coração dá para imensa gente ó Jonet.

beatice

Tive o cuidado de ouvir as debatidas declarações de Isabel Jonet duas ou três vezes para assegurar que não me escapou nada e, sinceramente, não vejo motivos para tanto alarido. Jonet é o protótipo da beata fina que prolifera em Portugal. Vive num mundo altamente desfocado, alicerçado em dogmas ultrapassados. Aposto que votou contra a despenalização do aborto e que educa os filhos com base em livros escritos pelos seus amigos pedopsiquiatras, o que me levanta sempre sérias dúvidas relativamente à sanidade mental desses pais autómatos. As suas polémicas declarações misturam alguma realidade tangível (meio país viveu acima das suas possibilidades durante anos e anos - facto absolutamente indesmentível) com considerações um bocado imbecis resultantes daquela pose evangelista de amiga dos pobrezinhos.

texto integral aqui: http://hipocrisiasindigenas.blogspot.pt/2012/11/a-beatice_9.html

mundo de Jonet

Camarada Van Zeller, as ciganas do meu bairro excitam-me. As novas e as velhas. Estas porque vestem saias compridas, geralmente negras, não vão à cabeleireira e levantam-se cedo para apanhar caracóis. As outras porque parecem putas, vestem-se como putas, entram e saem de carros suspeitos, tal qual putas. E as putas excitam-me. As ciganas do meu bairro vivem no mundo de Jonet, apesar de não lavarem os dentes. Suponho que não os lavem porque ou os não têm ou os têm estragados. A pasta de dentes está pela hora da morte, não oferecem detergentes para a boca na benfeitoria, só sopa de caracóis. É preciso poupar para ir ao bowling beber café, já que não dá para ir ao concerto de rock. As ciganas do meu bairro nem sequer gostam de rock, o mais rock que ouvem é o Tony Carreira na grafonola do Mercado de Santana. Se alguma vez foram a um concerto, foram puxadas pelos carros suspeitos. Talvez tenham dançado ao som dos Lords nas festas em honra de Nossa Senhora de Jonet, à freguesia do Auxílio. Olho para as ciganas do meu bairro, este bairro do mundo de Jonet, e imponho-me uma estóica reaprendizagem de ser pobre. Isto de reaprender a ser pobre tem muito que se lhe diga, porque só reaprende a ser pobre quem já o foi e deixou de ser. Quem nunca foi pobre pode não ter sequer que aprender a sê-lo, bastando-lhe sugerir aos que já o foram que voltem a sê-lo. Eu quero ser pobre, eu ambiciono ser pobre, eu desejo ser pobre, preciso que me ensinem a ser pobre. Eu venho-me de austeridade. Por isso me levanto bem cedo, antes de ir para o trabalho, e fico a olhar as ciganas do meu bairro. Masturbo-me a olhá-las - as velhas apanhando caracóis, as novas ganhando para o Nestum - e confesso que tenho vivido acima das minhas possibilidades. Nada devo a ninguém, felizmente, mas a verdade é que vivo acima das minhas possibilidades. Contribuo para o banco alimentar, distribuo cigarros pelos carochos, fumo e bebo e vou ao cinema e ao concerto de rock. Só não vou à missa largar tostão no cesto de verga, não quero exagerar nesta coisa do despesismo. Sou um consumista indefectível, tenho asma, respiro mais do que o necessário, do MEO prescindiria não fosse ter a viver comigo uma família idiota. A minha família é idiota, vive num mundo de Jonet. No mundo de Jonet nós vivemos de uma maneira completamente idiota.

texto integral aqui: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/search?q=jonet

09/11/2012

caçar

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola não gosta de fazer aos outros o que não gosta que lhe façam a si, não gosta que os outros lhe façam o que não gosta de fazer aos outros, não gosta de não fazer aos outros o que os outros gostam que lhes façam, não gosta que os outros não lhe façam o que gosta que lhe façam, não gosta que os outros gostem de não gostar e não gosta de gostar de quem não gosta e, aqui, abre-se uma auto-estrada de infinitudes de nãos quando gosta é de sins.
O que o coração de Zacarias gosta mesmo é de gostar e da ratoeira do Tom também.

Viens, Viens

sexo

Gostava de entrelaçar os meus dedos no teu coração, agarrar-te o músculo com a palma da mão e sentir todos os batimentos no pulsar dos meus nervos, alinhar o compasso das batidas e afinar as palavras no pensamento que o sangue trouxe.

08/11/2012

é que os desafinados também têm um coração



Não há nada que me console, neste momento
Não há felicidade, não há tristeza
Não há amargura nem tão pouco raiva
Neste momento, não há nada que me console

DeZafinando em MIm
Só em MIm
Nesta vida de uma nota só 
Sozinha, perdida, deZafinada
Só em MIm
DeZafinando em MIm

Não há nada que queira, agora
Não há vontade, não há inércia
Não há mágoa nem tão pouco fúria
Agora, não há nada que queira

DeZafino em MIm
Só em mim
E em toda a escala
Nesta bruma feita vida
Gasta, corroída, vazia, errada
Em toda a escala deZafino em MIm
Só em MIm

Não há nada que lembre, sempre
Não há desafio, não há derrota
Não há vitória, muito menos glória
Sempre não há nada que lembre

DeZafinando sempre
Todas as notas e canções
Todas as palavras e poemas de uma vida
Feia, falhada, cansada
Todas as canções
DeZafinando sempre

Não há nada que faça, todos os dias
Não há desejo, não há interesse
Não há memória nem tão pouco pensamento
Todos os dias, não há nada que faça

DeZafinando em MIm,
sempre e só em MIm

Não há felicidade, não há tristeza
Não há amargura, não há raiva
Não há vontade, não há inércia
Não há mágoa, não há fúria
Não há desafio, não há derrota
Não há vitória, não há glória
Não há desejo, não há interesse
Não há memória, não há pensamento

Sempre e só em MIm
DeZafinando em MIm

Não há amor, não há verdade.

06/11/2012

mortos e mortos-vivos

Os mortos têm rostos imprecisos, a memória que lhes guardamos é como um corpo em decomposição. Com o tempo, tornam-se inidentificáveis. Até nada mais restar deles senão uma vaga certeza de terem existido, porque a própria existência dos mortos parece uma mentira.

aqui:  http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/11/mortos.html


E quando acontece o mesmo com os que estão vivos mas é como se tivessem morrido. Será que foram uma verdade ou uma mentira que o tempo levou?

shake it

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola gosta de frases feitas, daquelas que todos partilham no facebook como quem bate com a mão no peito aos domingos na igreja e, depois, passam a semana a fazer o contrário do que apregoam. Uma das frases deixou Zacarias confuso. Se a mente se enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá, a pergunta que se impõe é: na realidade o que é aquilo?

30/10/2012

modern drift


I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
When the moment dies
And i come to you
With a broken lie
That i made for you.
If i wait to see you
With the living ghosts
Will they catch your sight
Or the back of you?
I can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
You can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
We appear so strong
But we're all afraid.
They will play your hands
Like a puppeteer.
And the dreams aren't true
But we know it-we know that too-
That the angel said to the hollow death:
"i can keep my head inside
When the modern drift is all i have.
"you can pull my head aside
But the modern drift is all i have.
"it's all i have".


A todas as palavras e nomes dados,
definições, rótulos, pensamentos falados,
preconceitos, ideias, considerações,
juízos, opiniões, boas ou más intenções.
A todos os ditames, velhas e novas doutrinas,
avisos, normas, regras cabotinas,
critérios, valores, generalizações,
ordens, exemplos ou supostas ponderações.
Penso pó.
Quem comigo não quiser estar,
entre este e o outro lugar,
nesta paragem em movimento,
posição sem assento.
Fico só.

A todas as ordens, comandos e posturas,
promessas, intenções, anseios, juras,
perspectivas certas, incertas,
razão, fé ou esperança despertas.
A todas as coisas do espírito e essência,
constância, presença ou ausência,
graça, alma, energia, sentido,
sopro, suspiro ou bramido.
Penso perigo.
Quem de mim apenas duvidar,
não é caso para alarmar,
neste  ou noutro caminho,
com mais ou menos alinho.
Fico comigo.

Se o que escrevo parece pretensioso,
falho, iníquo ou presunçoso,
vazio, frívolo, leviano,
uma mentira, uma verdade ou um engano.
Será um desentendimento descabido,
porque a um pássaro ferido,
não se nega abrigo.
Sigo, contradigo, desdigo, redigo, castigo.
Desato o nó.
E o vento levar-me-á,
e o vento levar-te-á.
Migalhas ínfimas de poeira
qual erro, qual asneira,
qual busca, qual demora, qual agora,
qual fracasso, qual sucesso, qual hora,
quer queira quer não queira
serei poeira e só poeira.
E serei só.

bom dia

Do alto dos desalinhados cabelos brancos e aos cinquenta e tal anos, o coração de Manuel Zacarias Segura Viola sabe que nada sabe, mas ainda pensa saber que se anda por aqui, planeta Terra ou emTerra, a batalhar por quem se ama e depois morre-se.
O pior é que nesta amargura já nem novidade existe.

25/10/2012

e a questão é: o trompete é rebelde ou mal-educado?

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola teve, hoje, uma reunião com vários professores, doze ou treze para ser mais exacto sem exactamente ser preciso. Ao ar acabado, resignado e, até, desinteressado de 60 a 70% dos senhores e senhoras, sucederam-se palavras transtornadas, amarguradas, desesperadas de queixas sem fim. Quando questionados objectivamente sobre a atenção dada na formação de turmas, sobre a necessidade de aguçar uma geração que consegue falar no facebook, mandar sms e ver um filme ou um jogo de futebol em simultâneo e, também, sobre distinguir o que é má-educação, parvoíce e estupidez de uma rebeldia saudável, objectivamente não objectivaram nada. Não confirmam nem desmentem, não se comprometem nem, tão pouco, se "compromentem", o mal estar está no ar e os putos têm é que não chatear, até porque, desconfia Zacarias, tem de se guardar força e capacidade para os dramáticos enredos da casa do degredo.
O coração de Zacarias percebe que os profs têm sido burocratizados, maltratados e desacreditados, mas com aquelas carrancas e discurso até a Zacarias apeteceu começar aos pinotes e caretas na reunião.

Casa dos Segredos ou a bondade televisiva


Há dias, nos minutos de Casa dos Segredos (TVI) que acompanhei, a apresentadora do programa insistia com os concorrentes para lhe dizerem se tinham ou não tinham estado “debaixo do edredon”... Mais do que isso: se admitiam que, nos dias mais próximos, iam estar “debaixo do edredon”... Presente na plateia, a mãe de uma das concorrentes foi mesmo solicitada a comentar o facto de a sua filha ter estado, ou poder vir a estar, “debaixo do edredon”... (e a humilhação a que a incauta senhora foi sujeita não foi das coisas mais agradáveis de observar).
Acontece isto num espaço televisivo em que, ciclicamente, nos impingem também uns programas muito sérios em que alguém modera conversas seriíssimas sobre temas de inquestionável seriedade. Temas como, por exemplo, a educação sexual...
E o mais espantoso já nem é o facto de a televisão, como sistema de linguagens, alimentar esta esquizofrenia mediática de nos vender os horrores do Big Brother e seus derivados, ao mesmo tempo que, ciclicamente, assume um ar muito sério para nos querer convencer que está preocupada com as atribulações dos humanos. O mais espantoso é que, sempre que se discutem as chamadas questões transversais, a própria televisão não seja convocada para o diálogo.
Fala-se da quebra de índices de leitura e ninguém fala de televisão... Fala-se da fragilização da consciência política dos cidadãos e ninguém fala de televisão... Fala-se de sexualidade e educação sexual e ninguém fala de televisão... E há sempre aquele momento em que algum dos convidados mais cândidos diz: “Seria importante perceber o papel da televisão na conjuntura que estamos a discutir...” Quase sempre também, há um moderador atento que esclarece: “Pois, isso é muito interessante, mas o nosso tema não é esse.”
Uma coisa é certa: através de tais práticas, a televisão alimenta as mais delirantes formas de fingimento, como se o mundo fosse um interminável espectáculo de coisas malignas, aqui e ali resgatado pela bondade inquestionável das mensagens televisivas. E tudo isso, heroicamente, por cima do edredon.

18/10/2012

Today's Supernatural



Come on let-let-let-let-let-let-let go
From that sea-saw
This is fucking your brain
It's gonna hold me out again
Come on let-let-let-let-let-let-let go
By all the key-hole
You can press yourself against it
You keep waiting for me cage

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola desgrenhado ao espelho:
Camaradas e Camarados a nossa arma é a razão e o pensamento, por isso, portugueses e portuguesas, revoltem-se. Amigos e amigas a conjuntura e o conjunturo não é a que nos querem vender, outro mundo é possível. Unam-se contra os  ratos, ratas, coelhos, coelhas e todos os animais e animalas que nos governam. O poder dos corações e coraçonas vencerá e, já agora, exijam um novo acordo ortográfico, se existe coração porque não existe coraçona, se existe azeitona porque não existe azeitão e por aí fora. Obrigado, obrigada a todos e todas, amigos, amigas, portugueses, portuguesas, camaradas e camarados.

17/10/2012

camaradas, amigos e também amigas claro, ainda dizem que os camaradas são só velhos


O outro rio está igualmente caudaloso, mas tem foz e leito e sabe muito bem o que quer e di-lo cada vez mais. A manifestação da CGTP era muito mais difícil de fazer com sucesso do que a de 15 de Setembro. Não contava com a mesma simpatia comunicacional que a de 15 de Setembro, e teve que ser sujeita a uma agenda comunicacional assente na comparação de números com a anterior. Com toda a força que tem o pensamento débil, parecia que as redacções não queriam fazer mais nada do que saber se uma era maior do que a outra, se a multidão cabia no Terreiro do Paço cuja medida “cientifica” foi contraposta á de uma Praça de Espanha, nunca medida, nem cheia. A tendência para o exagero dos números de dia 15, contrastava aqui com a minimização, e como a cabeça não dava para muito mais, não viam o muito que havia para ver de novo no dia 29 de Setembro. Da mesma maneira que elogiavam a manifestação de 15 de Setembro para a engolir, o establishment fazia de conta que a 29 apenas tinha havido um remake das sempre iguais e sensaboronas manifestações da CGTP. 

Sindicatos e CGTP são para eles “velhos”, desinteressantes e de cassete, e prestaram pouca atenção ao facto de Arménio Carlos ter feito o mais violento discurso comunista desde o PREC, a milhas do moderado Jerónimo de Sousa, dirigindo-se quase sempre aos “camaradas” e só no fim se lembrou dos “amigos e amigas”. Não viram a multidão a cantar A Internacional, não viram aquilo que foi o mais evidente sinal de uma radicalização nas fileiras do PCP desde há anos de crise. Ora isso não só é novo, como dá uma dimensão que ao governo e o poder devia suscitar as maiores preocupações. Até porque se deve ao PCP e quase só ao PCP e à CGTP o clima de “paciência” do povo português e não haver violência nas ruas. Arménio Carlos afirmou que a CGTP não permitiria violência na sua manifestação e quem lá estava sabe que isso é para tomar á letra, como sabe a polícia que confia mais no serviço de ordem da CGTP do que em milhares de efectivos. O PCP, por cultura política, despreza a violência folclórica dos esquerdistas actuais, mas é tudo menos um touro manso. 

A CGTP e o PCP estão cada vez mais a dar expressão a uma radicalidade que vem de baixo, dos locais de trabalho, seja na função pública maltratada, seja nas fábricas onde há despedimentos colectivos, seja em sectores de trabalhadores que são tratados com desprezo por administrações que estão a rasgar acordos que assinaram há um ano. Se houver greve geral podem ter a certeza que será muito mais dura. Pode até haver menos grevistas, mas os piquetes vão tomar a sua função a sério. Porque este não é o mundo das raparigas a abraçar polícias e depois andar a tirar fotografias em pose para revistas cor-de-rosa. 

16/10/2012

anda Pacheco II


Por várias razões, entre as quais se conta uma diferente proximidade social, cultural, etária, profissional, os órgãos de comunicação social tratam de forma muito diferente as manifestações da CGTP e as dos movimentos como o 15O, os grupos "culturais", "indignados", "precários", etc. Isso foi evidente ontem, com um relato muito mais hostil à Marcha contra o Desemprego, permanentemente procurando medi-la em números, compara-la, fazendo perguntas que têm implícito factores de repulsão no movimento sindical, que nunca seriam (nem foram) colocadas à manifestação da "cultura". Não há aí também factores de repulsão? Não há aí comparações a fazer entre ontem e o 15 de Setembro? E depois o mundo da "cultura" parece mais conhecido e próximo do que aquele de "outra gente", vinda da margem sul, do Alentejo, de fábricas, sim dessa coisa exótica que são as fábricas. Mais ainda: dessa coisa exótica para os jornalistas que é o mundo do trabalho industrial, em que é suposto saber a diferença entre um torno e uma fresa.


Pois é Pacheco, e as famosas forças de bloqueio dos anos 80. Ó que porra.


anda pacheco


Os casos de Passos e Relvas são típicos, porque uma parte fundamental da sua carreira é feita dentro dos partidos, nas "jotas", passam pelos cargos mais ligados ao controlo político "distributivo" no Governo (Relvas) e são empregados por terceiros em empresas em que as redes de ligação com o poder político são fundamentais para aceder aos "negócios". Uma frase esquecida de Ilídio Pinho quando dizia que ter acesso ao poder político valia um milhão de contos traduz bem a utilidade dos políticos para os seus patrões privados. As contas ainda eram em escudos, mas toda a gente percebeu de que é que ele falava.

Essas áreas incluem a formação, no tempo áureo dos fundos, e depois nos sectores como o ambiente, energias renováveis, resíduos e construção, tudo áreas que conheceram grande expansão com dinheiros públicos nos últimos anos. O caso da Tecnoforma, envolvendo Passos e Relvas, é típico de uma espécie de empresas "jota", em que pessoas com carreiras políticas interdependentes entre si se organizam para aproveitar as oportunidades que o acesso ao poder político cria. Este tipo de processos é transversal aos dois partidos, PS e PSD, e acentuou-se nos momentos em que o dinheiro fácil, com os fundos comunitários e com um Estado gastador, permitiram todo o tipo de "negócios". Uns são gigantescos, como as PPP, e outros medíocres, como o das empresas de "formação", mas são da mesma natureza e têm o mesmo perfil de protagonistas.



Muito bem Pacheco, mas que eu me lembre, apesar da cabeça pesada de tanta hipocrisia e demagogia, isto começou no tempo do Cavaco quando os fundos começaram a jorrar da UE directamente para todos esses jogos de poder. Que eu me lembre o Pacheco era um dos testas de ferro da maioria cavaquista ou estou enganado?

a queda...


Camarada Van Zeller, na mesma semana em que um austríaco, a viver acima das suas possibilidades, subiu 39 mil metros para dar o salto mais alto de todos os tempos, o Governo português apresentou o Orçamento de Estado 2013 para cair definitivamente no mais fundo abismo de que há memória. Esta semana de recordes é também a semana em que ficámos a saber o que move homens inteligentes como Vítor Gaspar no Governo. O ministro confessou que está a tentar retribuir o custo que o país teve com a sua educação, está a tentar devolver ao país esse custo. Como? Procurando arrecadar 70.589.600.000€ em impostos no próximo ano. Repare-se como nos saiu cara a educação de Gaspar, ainda ontem fotografado, ao lado de outro espécime cuja boa educação também nos tem sido tão onerosa, a oferecer um livro de anedotas a uma cocker spaniel reformada, aos 42 anos, por 10 anos de trabalho no TC que lhe valem 7255€ mensais.

maniqueísmo

No facebook anda a circular uma foto de uma criança a receber uma bandeira americana enquanto chora a morte do pai, acompanhada com este maravilhoso texto:

His dad died from fighting for our country
Click Like to show respect ♥
keep scrolling to say I don't care.


Não sei se a fotografia é pública ou privada, o que daria para uma análise mais profunda sobre a forma como podemos dispor/expor a vida dos outros sem a respectiva autorização, mas olhando apenas para o texto, só por si demonstrativo do tipo de maniqueísmo que impregna a sociedade de hoje e da hipocrisia que, inevitavelmente, daí advém, só podemos ficar preocupados.
Preocupa-me, ainda mais, a enorme contagem de pessoas que, supostamente, tentaram demonstrar o tal respeito, qual concurso de TV em que se vota no número não sei quantos para sair um ou outro, geralmente sai o mau fica a boa ou boazona, que a pornografia está cara. Claro que aqui o maniqueísmo é um pouco pervertido, porque se a matéria é intrinsecamente má e o espírito intrinsecamente bom, a não ser que as mamas e rabos já pertençam às coisas do espírito, existe qualquer coisa que não está bem. Como tudo isto me parece hard core bdsm pesado demais e uma perversão demasiado triste do que deve ser o sentimento humano enquadrado numa racionalidade que é suposto virmos a apurar ao longo dos milénios, deixo aqui duas excelentes fotos da World Press Photo, informativas deste mundo que vai sendo o nosso.


The international jury of the 55th annual World Press Photo Contest has selected a picture by Samuel Aranda from Spain as the World Press Photo of the Year 2011. The picture shows a woman holding her wounded son in her arms, inside a mosque used as a field hospital by demonstrators against the rule of President Ali Abdullah Saleh, during clashes in Sanaa, Yemen on 15 October 2011. Samuel Aranda was working in Yemen on assignment for The New York Times. He is represented by Corbis Images.

Nick Ut 1972
Phan Thi Kim Phuc (center) flees with other children after South Vietnamese planes mistakenly dropped napalm on South Vietnamese troops and civilians.

15/10/2012

juventude

Não tenho motivos para ter saudades da juventude, detestei a puta da juventude, mas agora ouço os mais novos à conversa e percebo que este já não é de todo «o meu tempo». E eu não sou sequer igual àquilo que era «no meu tempo». Em que sentido? Expliquei-lhe que me tornei agnóstico em matéria profana, as artérias endurecem, o coração também

aqui: http://a-leiseca.blogspot.pt/2012/10/juventude-2.html

desobediência

«Nunca a lei tornou um homem mais justo; é por causa do respeito pela lei que até alguns bem-intencionados se tornam todos os dias agentes da injustiça»

Henry David Thoreau: A Desobediência Civil

elogio aos touros bravos

Quando um puto se revolta contra a injustiça, mesmo que de forma desorganizada, o que é natural devido à tenra idade, o mundo pula e avança como diz o outro. A antiguidade não deve nunca ser um posto, levei com isso na tropa e lembro-me bem da estupidez que este pensamento gera. Quando os princípios básicos de equidade não são postos em prática por quem deve, todos têm o direito e o dever até de rebelar-se, os miúdos inclusive (felizmente nem todos são morangos com açúcar) . A sociedade bem pretende formar carneiros para o rebanho, sempre foi mais fácil a quem detém algum poder lidar com carneiros do que com touros bravos que investem quando são picados, mas o que seria do mundo sem esses touros.
Terão a vida muito dificultada é certo, mas serão sempre touros bravos e não carneiros.



I'm an antichrist, I'm an anarchist
Don't know what I want
But I know how to get it
I wanna destroy the passerby
'Cause I want to be anarchy
No dog's body...

13/10/2012

parabéns Tiago


Este sou eu com a mais recente aquisição da família, sei que depois de uma queda enquanto fazia traquinices levou uma série de pontos, já começa a ficar marcado pela vida, ainda bem, tem a quem sair :). Ontem o Tiago fez 2 anos, e daqui vai um grande beijo até ao outro lado do atlântico.

vamos?



Estaba pensando sobreviviendo con mi sister en New Jersey,
Ella me dijo que es una vida buena alla,
Bien rica bien chevere

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola acordou como o dia, cheio de luz, isto não soa muito bem mas pronto, energia, ainda pior, e vontade de caçar ratos e ratas (esta nova moda do género é parva mas aqui não gostamos de melindrar ninguém). Zacarias começava pelos críticos do prémio Nobel da Paz dado à União Europeia, porque gosta de ser Europeu e de uma ideia de uma Europa unida, depois passava ao conselho de ministros, grande caçada de ratos, ratas e uma ratazana disfarçada de coelho, depois o conselho de estadinho e por aí fora. O que faria bombear mesmo o coração de Zacarias era vê-los na ratoeira do grande Tom que Espera prontos para um banho no limpinho Trancão.
Vamos?

12/10/2012

by unting rats I mean this

Which will



Which will you go for
Which will you love
Which will you choose from
From the stars above
Which will you answer
Which will you call
Which will you take for
For your one and all
And tell me now
Which will you love the best
Which do you dance for
Which makes you shine
Which will you choose now
If you won't choose mine
Which will you hope for
Which can it be
Which will you take now
If you won't take me
And tell now
Which will you love the best

where's the High



There is a house with a fountain
Things that kept me satisfied
I lost my life as a young man
And I’ve been running ever since

bom dia

Já faz tempo que Manuel Zacarias Segura Viola disse que não percebia a questão da porta que se fecha e de outra que se abre, até porque, por vezes, só há uma porta, outra questão que Zacarias não percebe é a do copo meio cheio ou meio vazio, porque um copo cheio está cheio, um copo vazio está vazio, se estiver a meio, o que é uma merda, a meio está. Assim, se é verdade que o coração de Zacarias gosta do copo cheio, não é menos verdade que o prefere vazio do que a meio.

11/10/2012

many names



Curses turned gifts 
I was struck down 
But I could rise 

10/10/2012

bom dia

Manuel Zacarias Segura Viola ainda não anda a caçar ratos, nem ratas, já que agora se usa e é de bom tom usar os dois géneros, mas por vezes apetece-lhe. O passado passado está, o presente é a mesma dúvida que foi o passado e que será o futuro. E se existe uma certeza com pouca dúvida que assiste o coração de Zacarias é que, com mais ou menos sangue, o coração de Zacarias um dia deixará de assisti-lo e, aí, qualquer arrependimento será inútil.     

momento

É quase impossível destacar um, mas este arrepiou. Quando for grande quero ser assim, excepto o chapéu.




And who by fire, who by water,
who in the sunshine, who in the night time,
who by high ordeal, who by common trial,
who in your merry merry month of may,
who by very slow decay,
and who shall I say is calling?
And who in her lonely slip, who by barbiturate,
who in these realms of love, who by something blunt,
and who by avalanche, who by powder,
who for his greed, who for his hunger,
and who shall I say is calling?
And who by brave assent, who by accident,
who in solitude, who in this mirror,
who by his lady's command, who by his own hand,
who in mortal chains, who in power,
and who shall I say is calling?